terça-feira, 1 de abril de 2014

Treine seu cérebro para ficar mais esperto e rápido

mente

Nem todo mundo tem as habilidades de dedução quase sobrenaturais de um Sherlock Holmes. Mesmo assim, basta treinar para conseguir construir um Palácio da Memória tão amplo quanto o do famoso detetive. Eis como você pode melhorar suas habilidades de memorização e raciocínio durante seu tempo livre.

Técnicas

Na série Sherlock, da BBC, muito das assustadoras capacidades mnemônicas de Holmes derivam de uma técnica que vem da Grécia Antiga, conhecida como “método de loci”. Acredita-se que essa técnica foi desenvolvida pelo poeta Simónides de Ceos, depois de um edifício desabar sobre um banquete em que ele estivera. Simónides deu uma saidinha para encontrar alguns convidados que estavam atrasados quando o teto do lugar cedeu, esmagando as pessoas e deixando seus corpos irreconhecíveis. Entretanto, Simónides foi capaz de se lembrar de todo mundo que estava no evento baseado apenas no arranjo dos assentos, ou seja, das posições dentro da sala — por isso este método se chama “de loci” (plural de locus, lugar). Holmes consegue um feito semelhante com fatos dissociados, amarrando as pontas de cada pedacinho de informação a um lugar de sua construção mental — o Palácio da Memória. Você também pode fazer isso, com um pouco de prática.

Organize

Seu cérebro está constantemente sendo inundado por informações sensoriais, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Teoricamente, ele poderia, guardar todas as suas experiências de vida. No entanto, ele é seletivo na hora de separar o que vai para a memória de longo prazo — priorizando recordações únicas, importantes, surpreendentes ou emocionantes e deixando de lado as comuns. É por isso que você ainda se lembra do seu primeiro beijo ou daquele mico que você pagou na aula de matemática quando estava na quarta série, mas esqueceu completamente o que comeu no café da manhã na quinta passada. A técnica de memorização conhecida como chunking (algo como “organizar em partes”) tira vantagem desse efeito, fixando informações banais, como um número de telefone, através de lembranças mais potentes. Há várias maneiras de se fazer isso:

Faça um acróstico: Precisa decorar uma longa lista de compras? Pegue a primeira letra de tudo que você precisa comprar –digamos, farinha, leite, açúcar, uvas, tomates e abacaxi– e forme uma palavra com elas –como “FLAUTA”. Agora você tem um único item principal (FLAUTA) para lembrar quando estiver no mercado, em vez de seis.

Use o teclado: O mesmo método pode ser usado para sequências numéricas, como números de telefone. O número da hora certa na Califórnia era meio difícil (767-2676), mas muitas pessoas decoraram digitando o POPCORN no teclado. Isso ocorre porque “popcorn” é um vínculo muito mais forte do que uma linha de 6′s e 7′s. Você pode fazer a mesma coisa, inventando palavras ou frases a partir das letras do teclado alfanumérico do telefone.

Separe: Os cérebros com memórias medianas (obviamente, a maioria) só conseguem manipular com facilidade sequências numéricas de 4 a 7 dígitos. Então, por que 8675309 parece tão complicado, mas 867-5309 é tão fácil de reconhecer? Esta sequência tem um ajudinha de uma música famosa, mas dividir um conjunto de números em pedaços menores melhora a retenção da memória.

E não são só formatos de número de telefone que podem ser usados para separar longas cadeias de dígitos. O livro The Ravenous Brain, do neurocientista Daniel Bor, recorda um experimento sobre memória conduzido na Universidade de Cambridge: um estudante da graduação topou ser voluntário e recebeu a seguinte tarefa de ouvir uma sequência numérica e repeti-la. Se ele acertasse, os pesquisadores acrescentariam um dígito na próxima rodada; se ele errasse, eles tirariam um. No começo, ele só conseguia lembrar sete dígitos, mas ele conseguiu, ao longo de 20 meses, melhorar sua performance e recordar códigos de 80 dígitos, simplesmente separando os números. Como ele era um fã de corridas, ele convertia as sequências em tempos de volta –3492 virava 3 minutos e 49,2 segundos– o que é bem mais fácil de guardar que ficar simplesmente repetindo até memorizar.

Transforme em algo memorável: Para muita gente, é mais fácil se lembrar de frases do que de sequências de números ou listas de itens. Este é o segredo por trás dos macetes de cursinho (ou dispositivos mnemônicos, se você preferir um nome mais técnico), como “Hoje Li Na Kama Robinson Crusoé em Francês” para metais alcalinos –lítio (Li), sódio (Na), potássio (K) , rubídio (Rb), césio (Cs) e frâncio (Fr)– ou “Vovô é ateu” para a fórmula do movimento uniformemente variado — v = v0 + at.

Este método pode ser extrapolado para uma forma mais avançada, conhecida como sistema mnemônico de fixação, que usa uma lista ordenada de rimas para vincular cada item a ela. Como a Wikipédia ilustra:

1 (um) – atum: Visualize o primeiro item da lista perto do peixe

2 (dois) – arroz: Visualize uma associação entre a segunda coisa e arroz

3 (três) – mês: Visualize o terceiro item aparecendo em um calendário

4 (quatro) – pato: Visualize o quarto item associado, de alguma forma, a um pato

5 (cinco) – cinto: Visualize o quinto item amarrado a um cinto

6 (seis) – reis: Visualize o sexto item associado à figura de um rei

7 (sete) – chiclete: Visualize o sétimo item associado a um chiclete

8 (oito) – biscoito: Visualize o oitavo item associado a biscoitos

9 (nove) – chove: Visualize o nono item debaixo da chuva

10 (dez) – pastéis: Visualize o décimo item associado a pastéis

Você deve estar pensando que não é uma técnica fácil de dominar, mas depois de decorar as rimas de fixação (1 atum, 2 arroz etc.), você pode criar e memorizar listas quase ilimitadas — ou no mínimo bem mais longas do que você conseguiria por outro método.

Crie uma situação maluca: Números de telefone e listas de compras não são as únicas coisas em que a mnemônica pode dar uma forcinha para decorar — detalhes, como novos nomes e fisionomias das pessoas, podem ser facilmente recordados, desde que você ligue cada nome comum a uma memória com um impacto visual maior. Como Melanie Pinola, do Lifehacker, explica:

Para memorizar nomes e fisionomias, ele [o campeão americano de memória, Nelson Dellis] diz pegar um nome como Nelson e tentar associá-lo a uma pessoa famosa, como Nelson Mandela, por exemplo (passo 1). Então vem o passo 2, encontrar um lugar que se destaca na pessoa para ancorar isso, como, por exemplo, um narigão — imagine então o Nelson Mandela encravado no nariz da pessoa.

Quanto mais explícitas, vívidas, grotescas ou esquisitas forem as âncoras visuais que você criar, mais facilmente você se lembrará do nome da pessoa numa outra ocasião.

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